Aviso aos Navegantes
Eu sou o mar, corredor da história.
Nasci para unir e não pra separar.
Assim a vida em mim fez sua trajetória.
Em minhas águas vivem as memórias:
Pescadores, marisqueiros, imigrantes,
Emigrantes, navegantes, canoeiros,
Marinheiros, exilados e aventureiros.
Se Deus te fez de carne e osso,
Me fez simplesmente de água e sal.
Não sou santo, tenho desejos, é
natural.
Namoro a areia, noite clara, lua cheia,
Entre lampejos intercalo meus desejos,
E meus beijos entre ternas dunas brancas
do meu litoral........
Olhem pra mim,
Olhem por mim,
Orem por mim
Em outros dias de agitação,
Nada me segura, nada me detém,
Me atiro nas rochas, nas barras, nos cais,
Mas não demora já sou calmaria,
Já sou poesia, sou dias de paz,
Sou cama mansa dessas caravelas
O outro lado dos meus temporais
Duas maneiras de vestir o dia,
Na maré cheia, na maré vazante,
E a lua bem sabe , comanda esse tempo,
Na maré cheia invado os pontais,
Me estendo nas margens, me solto, me espraio,
Até que essa lua me mande a vazante,
Então me retraio e afago meus ais.
Parece castigo, pressinto a desgraça,
A morte me espreita, nas garras dos homens,
Se um dia me alcança, vão todos
comigo.
As ondas inertes, odor de curtumes,
Sem ar , sem cardumes, sem vida, perdidas,
Assim exauridas, enfim nesse aviso,
Carta aberta aos navegantes.
Ivo Ladislau/Mauro Marques/Paulo Bratch
---------------------------------------------------------------
FOTOS ------------------------------------------------------------