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História que antecedeu a vinda dos
açorianos:
Nos meados do sec. XVI,
as praias do Rio Grande do Sul, avistadas
pelos antigos navegantes, eram definidas
como desertas e arenosas.
A não ser por algumas
incursões bandeirantes a caça
de mão de obra escrava índia,
pelos duzentos anos seguintes permaneceram
desertas e nuas, fora de interesse de sua
exploração e uso. Sua ocupação
se realizou só no sec. XVIII, podendo
se destacar sete correntes povoadoras:
A 1a, em 1725 Brito
Peixoto, capitão-mor de laguna, recebia
a incumbência de reconhecer a região.
Em outubro do mesmo ano foi identificada
como a Lagunista e, conhecida como "Frota
de João Magalhães".
A 2a, iminentemente
comercial, lenta e contínua e com
ela, a partir de 1733, a abertura do caminho
das tropas para São Paulo e Minas,
pelo qual se possibilitou, também,
propalar a grandeza destas campanhas.
A 3a, composta de
paulistas e lagunenses trazidos por Cristóvão
Pereira de Abreu, (1736) com o objetivo
de libertar a Colônia do Sacramento,
agrupando nela tropeiros, vaqueanos do Rio
Grande e outros sertanistas, até,então,
desconhecedores deste território.
A 4a, (1737) constituída
por casais,vindos sobretudo, do Rio de Janeiro
para a instalação do Presídio
de Rio Grande, acrescidos dos casais vindos
da Colônia do Sacramento e tropa do
Regimento dos Dragões.
A 5a, com a presença
da Comissão de Demarcadores de Limites,
determinados pelo tratado de Madrid (1750).
A 6A, constituiu-se
pelos açorianos que atenderam a convocação
do Comissário Gomes Freitas de Andrada,
para ocuparem os Povos Missioneiros previstos
para serem incorporados ao domínio
de Portugal nos termos do referido tratado
(1750).
A 7a, finalmente,
consideramos, a constituída para
a fixação das tropas que a
partir de 1762 se agruparam para a defesa
e posterior retomada da Vila de Rio Grande
e seu amplo território adjacente.
Obs. Não
contamos como incursão colonizadora
e sim como trânsito, o Roteiro de
Domingo Filgueira, que palmilhou a orla
litorânea em 1703, saindo da Colônia
do Sacramento em direção a
Laguna.
A
vinda dos açorianos
Pesquisas efetuadas, em
documentos antigos, comprovam a iniciativa
dos moradores das Ilhas dos Açores,(1746)
pedindo providências ao rei para solucionar
"o excesso de população
que os afligia", transportando
casais para a América.
Pela resolução
de 31-VII-1746 D. João V (1689-1750):
"faz mercê
aos casais das ilhas que se quiserem ir
estabelecer no Brasil de lhes facilitar
o transporte e estabelecimento, mandando
os transportar à custa de sua Real
Fazenda, não só por mar, mas
também, por terra até os sítios
que se lhes destinar"
Consultado o conselho
Ultramarino admitiu que "se mandasse
até 4000 casais para as partes do
Brasil que fosse mais preciso povoarem logo".
Para se cumprir a determinação
do Conselho foram afixados editais nas ilhas
dos Açores e Madeira para o alistamento
dos interessados na mudança . A Provisão
Régia de 9-VIII-1747 ordena o transporte
e o "estabelecimento de casais na Ilha
de Santa Catarina, como na terra firme".
Segundo Walter Piazza,
historiador dedicado ao estudo da contribuição
açoriana em Santa Catarina, confirma
que o primeiro transporte de ilhéus
chegou ao porto do Desterro onde eles ficaram
desterrados, hoje Florianópolis,
em 06-01-1748, desembarcando "85
casais e seus filhos e agregados e dois
vigários".... estima, esse
autor, em 6.0771 o total de ilhéus
fixados em Santa Catarina (1748-1756).
Alguns destes casais passaram
para o presídio de Rio Grande, onde
se estabeleceram amparados pelas medidas
oficiais que os transferia do Açores
e da Madeira até o sul do Brasil.
Os locais previstos para acomodação
se estendia desde a vila de São Francisco
(S.C.) até São Miguel nas
proximidades do Chuí-RS .Por isso
encontramos registros eclesiásticos
da sua presença desde essa data.
Aurélio Porto por
suas pesquisas pode assegurar que em 1749
foram batizados dois filhos de açorianos
no Rio Grande do Sul. um chamado Felipe
(08-05-1749) filho de João Fernandes
e de Elena de São José, naturais
da Ilha Terceira e Francisco (16-04-1749),
filho de Manoel Cardoso Pinto E Rita Maria,
também da ilha Terceira. Mas este
mesmo autor, observa que em 1752 os batismos
já sobem para 25 em 1753 a 40 e 1754,
82 batizados. O que necessariamente, nos
induz acreditar que o aumento do número
decorre da maior presença de açorianos
que atenderam a convocação
de Gomes Freire de Andrada, para a ocupação
das missões.
Portanto, os açorianos
chegados ao Rio Grande do Sul, antes de
1752, devem ser considerados como casos
isolados, não podendo autorizar o
reconhecimento de colonização
açoriana no Rio Grande do Sul. No
Brasil temos registros de açorianos
desde o Sec XVI.
O tratado de Madrid representa
em seu aspecto teórico, um esforço
de se resolver a velha questão de
limites entre Portugal e Espanha que precede
até a descoberta do Brasil. Dentre
as metas do mesmo tratado, propunha-se a
troca da Colônia do Sacramento, da
coroa portuguesa pelo território
dos Sete Povos das missões, da coroa
espanhola.
Apesar do ingente esforço
do grande diplomata Alexandre de Gusmão,
o interesse dos negociadores castelhanos
não fora resolver, em definitivo,
a velha questão de fronteiras entre
as coroas.
Foram nomeados, respectivamente
o Marques de Valderírios por parte
da Espanha e Gomes Freire de Andrada, como
comissário de Portugal, para dar
execução do tratado.
Gomes Freire de Andrada,
nomeado em 21 de agosto 1751, já
em 16 de Janeiro, tomou medidas efetivas
para o cumprimento de seu mandato fazendo
publicar o Bando convocatório de
que consta o significativo trecho que transcrevemos:
"...faço
saber a toda pessoa que quiser com a sua
família ou sem ela estabelecer nas
ditas terras, tanto nas Sete Aldeias, que
hoje se acham povoadas e os padres entregam
inteiras casas, como nas demais terras que
correm para Castilhos. Rio Grande e Santa
Catarina: Lhe concebem nome de S.M. o mesmo
mantimento, subsistência ferramenta
e mais conveniência que o dito Senhor
tem dado aos "casaes" que mandou
tirar nas ilhas e ao presente estão
em Santa Catarina, dando-se-lhe maior número
de gados e éguas que a estes na Ilha
são permitidos.
Sem dúvida foi esta
convocação que atraiu os numerosos
"Casais Açorianos". Este
contigente ficou conhecido como "casal
do número". Que passaram ao
continente constituindo o verdadeiro inicio
da colonização açoriana.
Nos livros de registro eclesiásticos
da época guarda-se sua presença
como casais que S.M. manda para as novas
povoações das missões.
Seu trajeto por mar até
Rio Grande ou terrestre, pela estrada da
Laguna até Conceição
do Arroio (Osório), Mostardas, Viamão
ou Porto Alegre, ficou marcado pelas escalas
feitas constantes nos registros das paróquias
em que celebram seus casamentos, nascimentos
ou óbitos.
No assentamento das Missões
surgiram dificuldades. Houve resistência
a entrega das Missões e subsequente
guerra (1754-1756) e até a anulação
do Tratado de Madrid. (1761)
Infelizmente, apenas começada
a operação da chegada dos
ilhéus procedentes de S. Catarina,
irrompeu um estado de beligerância:
Primeiro por entrega das Aldeias missioneiras
e depois sobrevem a ocupação
da Vila de Rio Grande pelos espanhóis
(1763-1777)
Vão se acumulando
problemas administrativos e em, conseqüência
o povoamento das missões ficou adiado.
Os açorianos tiveram
que ficar retidos nas diferentes etapas
da marcha. E foram nelas se arranchando.
Assim surgiu o "Arraial dos Ilhéus"
(Porto Alegre) e outros.
Vinte anos depois de sua
chegada ainda estava o governo demarcando
os núcleos para a sua acomodação.
No início do governo
do Cel. José Custódio de Sá
e Faria (1764) foi que tratou de promover
a demarcação de lotes em dois
sítios, para organização
de futuros núcleos de Taquari e Porto
Alegre. Desincumbia-se, assim, do que lhe
fora determinado, como governador do Continente,
pelo regimento respectivo, datado em 23-02-1764,
"achar alguns retalhos de terra os
poderá repartir pelos casais de ilhéus
que são os melhores agricultores".
Sua destinação
agrícola, consolidada nas ilhas,
teve aqui confirmação. Em
Osório introduziram a lavoura canavieira
e engenho de açúcar, em Rio
Grande a vitivinicultura, em Canguçu,
Gravataí, Porto Alegre, Rio Pardo,
plantaram trigo, instalaram moinhos para
elaboração de farinha. Em
Santo. Antônio, engenhos.
Fontes:
Luis da Silva Ribeiro
- Etnografia Açoriana
Francisco dos Reis Maduro Dias - Diversos
Antonio Valdemar (Diario de Notícias-Portugal)
Luis Antonio de Assis Brasil
Juares Pedroso Xavier
Jornais do Arquipélago (diversos)
AAAçores-RS
Salas Açorianas.
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