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O
que é Maçambique
O
Maçambique é uma manifestação Sócio-Cultural-Religiosa,
criada pela raça negra com o intuito de
preservar suas origens em ambientes diferentes
do qual viviam na África há quase 400 anos.
É uma manifestação popular autêntica e expontânea
: Folclore puro.
Sua
origem vem de um antigo reino em Angola,
país da África, no século XVII, onde uma
mulher de nome Nginga Nbandi (Ginga) que
subiu ao trono e morreu na guerra em defesa
de seu reino. Ela foi batizada com o nome
de Ana de Souza, em 1622. A lembrança de
sua existência venceu séculos, pulou mares
e ainda hoje no Rio Grande do Sul mais exatamente
em Osório, os fatos que eram história, viraram
folclore.
O
Maçambique é a representação da cerimônia
de coroação da Rainha Ginga e do rei de
Congo, tradição Africana.
Em
Osório devem ter chegado com os escravos
que vieram trabalhar nas plantações de cana
de açúcar.
De
lá para cá o que garante a perpetuação desta
festa, é sua transmissão de geração a geração.
O
Ritmo, o balanço, vieram junto da África,
mas as danças, as roupas, as letras de suas
músicas, em boa parte, foram criadas no
Brasil, mais especificamente em Osório,
quando ainda se chamava Estância da Serra.
Se constituem de traduções e adaptações
da língua Africana. Encontramos, nos versos,
a forte influência da igreja, mas em alguns
nota-se o desafio da irmandade negra em
respeito a seu folclore, citamos um:
"Ah
seu padre santo
Desça do altar
E venha receber
O Maçambique real."
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índice
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A
Festa
A
festa de N. Senhora do Rosário representa
em síntese, a coroação da Rainha Ginga e
do Rei de Congo:
Inicia-se
o ato folclórico com o capitão do mastro
e seu ajudante erguendo o mastro e na ponta
do mesmo, colocam uma bandeira de S. José,
com os dançantes ao seu redor, dançando
e cantando:
"Hoje é dia
de São Tomé
Levantemô a bandeira de S. José"
Do
Levantamento do mastro os reis seguem para
a coroação, na igreja, antigamente era na
porta da Igreja, feito isso cantam:
"Tá c'roado,
bem c'roado
Nosso grande imperador
Tá com a c'roa na cabeça
C'roa de nosso Senhor"
Depois
seguem cantando rua afora para o salão paroquial,
onde seguem as festividades, e lá os dançantes
entre outras danças realizam a dança do
lenço. Existe também o pagamento de promessas.
As festividades começam na quinta feira,
mês de outubro, e terminam no domingo com
o arreamento do mastro e a escolha do festeiro
para o próximo ano. No domingo quando partem
para o arreamento do mastro saem do salão
cantando:
"Ah seu festeiro
Saia para fora
Com sua ordenança
Vamo-nos embora"
E
no arreamento do mastro eles cantam:
"Hoje
é dia de São Tomé
Abaixemo a bandeira de São José."
Existem
uns cem números de quadrinhas, que são cantadas
durante as festividades da Festa de N. Senhora
do Rosário. A festa se restringe ao mês
de outubro, mas a um canto de morte em que
os Maçambiques homenageiam a rainha Ginga
ou alguém em especial...
"Os anjos
tão chorando-o
com grande tristeza-o"
Seguindo-se
doze incelências.
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O
ritmo
Ivo
Ladislau e Carlos Catuípe que registraram
o primeiro Maçambique (gênero musical),
a princípio foi cogitado o nome de "congada",
mas como este ritmo era característico só
do litoral norte do Rio Grande do Sul, optou-se
por Maçambique. Cléa Gomes (Mãe de Catuípe
Jr), passou a ser a intérprete, dando um
tempero todo especial.
O
primeiro Maçambique em festival foi a música
com nome "Aporte" na interpretação de Loma.
O
gênero musical MAÇAMBIQUE começou a ser
trabalhado nos festivais a quase 15 anos,
pelas pesquisas de Ivo Ladislau e Carlos
Catuípe, Durante alguns anos este gênero
foi olhado pelos jurados e organizadores
de festivais com desconfiança, confundido
que foi, com os ritmos baianos. A Moenda,
a Tafona e mais adiante o Musicanto foram
os primeiros festivais a difundir e acreditar
nesta renovação. Com tempo, compositores
de peso como Beto Bollo, Kako Xavier, Catuípe
Jr., Marco Araújo, Heleno, Cardeal, Jerônimo
Jardim, mais recentemente, se engajou no
movimento e toda uma nova geração de músicos.
A
primeira maior vitória do Maçambique foi
ter vencido o Musicanto dois anos seguidos
(considerado por muitos o melhor festival
do RS), com "Senhora Rainha Negra" e "Maçacaia"
(Beto Bollo, Kako Xavier e Ivo Ladislau)
abrindo as portas do maior festival da América
Latina: Cosquin, na Argentina. Senhora Rainha
Negra e Maçacaia foram apresentadas para
mais de trinta mil Pessoas e por televisões
da língua espanhola, com muito sucesso.
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Maçambique
ou Moçambique
Alguns
historiadores denominam de Moçambiques por
acreditarem que parte dos escravos do litoral
vieram desse país, mas eles se auto-denominam
de Maçambiques. Quando falam de seu
movimento utilizam a palavra maçambique
e assim vemos nos seus cantos e versos:
"Ah
seu padre santo
Desça do altar
E venha receber
O Maçambique real."
Se
tivermos de voltar às origens, em
seu nascedouro lá na África, só ficarão
os dançantes, pois o original de suas letras
perdeu-se no tempo ou então foram substituídas
por quadrinhas que melhor soavam para o
clero. ... Entre o "a" e o "o"
o meio musical optou pelo "a". O "a" é profano,
aberto, tem ritmo, tem música, tem dança,
projeção, evolução, tem vida, liberdade,
negritude... e é como os negros cantam.
"Que
rua tão cumpridá,
Toda cheia de pedrinhá"
.....................................
.....................................
Maçambique
é o que os negros querem ... Moçambique
é o que algumas pessoas pensam que eles
desejam. Deixem eles caminharem com suas
próprias pernas.
Alegam
que se não os "ajudarem" o grupo termina.
Acredito noutra possibilidade: Devolvam
a "caixinha" que tiraram deles e quem sabe
no amanhã eles terão sua sede própria e
a liberdade de seu folclore. Deixem que
cantem seus versos. Deixem sua acentuação
oxítona , não tentem corrigi-la, por favor
devolvam-lhes a liberdade, para que eles
cantem a seu modo a sua gente.
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Versos
de Maçambique
Escute
aqui alguns versos
Tá c'roado, bem c'roado
Nosso rei imperadô
Tá c'roa na cabeça
C'roa de Nosso senhô
Quie senhora é aquela
Que vem lá da paróquia
É a nossa Senhora sr
Que já vai para a gloria
Minha virgem santa
Manda acalmar o vento
Aí vem o rosário sr
Por esta porta adentro
Ninguem viu o que eu vi
hoje
Lá no pé daquela cruz
Encontrei menini deus
Filho da virgem Maria
Oh nosso festeiro
Saia porta a fora
Com sua ordenaça
Oi vamos nos embora
Ah vamo embora
Aqui fiva ninguem
A virgem do rosário
Vai com nois tambem
Oh nosso padre santo
Desça do altar
E venha receber
O maçambique real
Oi vamo pra igreja
Rezar oração
Rosário ele entrega
Pro nosso capelão
Coroamo nossa Senhora
Grande mãe do salvadô
E de todos esses seus filhos
Que até hoje khe acompanha
Oi que rua tão cumprida
Toda cheia de pedrinha
Primeiro vou pedir licença
E depois pedir perdão
Pra ver e receber
Esse grande capelão
Marcha Sào Bento
Marchô, Marchô, marchô
A sua infantaria
A tenente coronel
io, io, io
O nosso manifesto
E o capitão nago
O tenete coronel
O nosso general
Com sua licença
Hoje é dia de São
Tomé
Abaixemo abandeira de S> José
Hoje é dia de São josé
Abaixemo abandeira de São Tomé
Cranguejo no mar
Cranguejo pexe é
olio.oli.oli, olá
Oh meu são benedito
Conta de onde viesse
Vim aqui de tão longe
Que notícia trouxestes
O meu São benedito
É um santinho preto
quando ele fica brabo sr
Ele ronca no peito
Encontri com a senhora
Na beirado do rio
Tava lavando os paninhos
Do seu amado filho
A senhora lavava
São josé estendia
Só o menino chorava Sr
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